O VIDEIRINHO

sexta-feira, março 07, 2014

SE TU QUISERES…

.




A nossa cupidez volta-se contra nós. 

Na troca de um beijo quente de dois rostos frios arrisca-se todo o prazer que cabe no corpo. 

Um beijo tão fugaz! 

O que logo deixa de palpitar os lábios e de cocegar a língua. 

O cheiro desse hálito em cio impregnado por dentro do rosto e o sabor excitante da seu saliva, dissipam-se com a primeira exalação de vento dezembrino. 

Os que se beijaram pela primeira vez, depois de muito o desejar, estão embrutecidos, mas já terão tempo de lamentar o tempo perdido. 

Não haverá mais olhares proibidos, nem estremecimentos de vozes ao conversar, nem profundas inalações no meio de um abraço.

 
  (Ursula Dittrich) 
Depois. 

Depois de outro beijo mais desesperado e asfixiante. 

O coração dos recém-beijados está em fuga e não sabe se pulsa na garganta,  no peito ou entrepernas. 

– Não me rejeites, necessito de ti… fá-lo-emos à tua maneira, com as tuas condições… não te peço mais, só que me deixes amar-te, quero comprazer-te, satisfazer as tuas fantasias, sejam quais fores! 
Quero que comigo faças o que nunca poderias fazer com ele. 

– Sim. 
Afastar-me de ti e esquecer-te.
.

1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

Há muitos anos que a Colgate vela para que os beijos assim sejam, ainda a uso.