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A nossa cupidez volta-se contra nós.
Na troca de um beijo quente de dois rostos frios arrisca-se todo o prazer que cabe no corpo.
Um beijo tão fugaz!
O que logo deixa de palpitar os lábios e de cocegar a língua.
O cheiro desse hálito em cio impregnado por dentro do rosto e o sabor excitante da seu saliva, dissipam-se com a primeira exalação de vento dezembrino.
Os que se beijaram pela primeira vez, depois de muito o desejar, estão embrutecidos, mas já terão tempo de lamentar o tempo perdido.
Não haverá mais olhares proibidos, nem estremecimentos de vozes ao conversar, nem profundas inalações no meio de um abraço.
(Ursula Dittrich)
Depois de outro beijo mais desesperado e asfixiante.
O coração dos recém-beijados está em fuga e não sabe se pulsa na garganta, no peito ou entrepernas.
– Não me rejeites, necessito de ti… fá-lo-emos à tua maneira, com as tuas condições… não te peço mais, só que me deixes amar-te, quero comprazer-te, satisfazer as tuas fantasias, sejam quais fores!
Quero que comigo faças o que nunca poderias fazer com ele.
– Sim.
Afastar-me de ti e esquecer-te.
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1 comentário:
Há muitos anos que a Colgate vela para que os beijos assim sejam, ainda a uso.
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