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"A sua mente absorvia, como uma esponja, absolutamente tudo o que os seus olhos viam, tudo o que os seus ouvidos escutavam, tudo o que as suas papilas gustativas degustavam, tudo o que ele mesmo dizia.
Incapacitada para esquecer, a sua memória, ainda que privilegiada, atentava contra a sua cordura ou sensatez já que o conteúdo da mesma ocupava demasiado espaço no seu cérebro.
Recordar com detalhe todos os acontecimentos da sua vida, incluídos os mais quotidianos, era uma verdadeira tortura.
Cada nome, cada rosto, cada data de anos, cada festejo, cada lugar, cada marca de automóvel, cada paisagem, cada definição, cada mínimo detalhe do acontecido; tudo se armazenava no seu cérebro sem nenhum tipo de filtro e a informação acumulada, na sua grande maioria, era totalmente inútil.
A única solução consistia, evidentemente, em tratar de esquecer o recordado e esvaziar um pouco a mente.
Finalmente encontrou, no álcool, a solução que o tempo não poderia dar-lhe."
Cada vez exercitamos menos a memória, o que acarreta algumas consequências.
Segundo um estudo publicado na revista Science, motores de busca como o Google e as bases de dados da Internet, converteram-se numa espécie de “memória externa” do cérebro humano, o que provocou que percamos retentiva de dados, mas ganho em habilidade de busca.
O homem está cada vez mais dependente da informação da Internet, assinala a psicóloga Betsy Sparrow, professora adjunta da Universidade de Columbia (Nova Iorque) e autora de um estudo.
Foi a sua experiência pessoal que a levou a aprofundar os hábitos de estudo e aprendizagem das novas gerações.
Como exemplo assinalava um casal em que o marido confia que a sua esposa recorde as datas importantes, como consultas médicas, enquanto ela confia que ele se recorde dos nomes de familiares mais afastados, de tal modo que não duplicam informação nem “ocupam” memória.
A Internet é uma grande memória colectiva.
À raiz desta teoria, Sparrow interrogou-se se a Internet estava a desempenhar esse papel para todo o mundo, como uma grande memória colectiva e, juntamente com a sua equipa, fez uma série de experiências com mais de uma centena de estudantes de Harvard, para examinar a relação entre memória humana, a retenção de dados e a Internet.
A equipa descobriu que quando os participantes não sabiam as respostas ás perguntas, automaticamente pensaram no seu computador como o lugar onde encontrar essa informação.
Somos realmente eficientes.
Além disso, averiguaram que se os estudantes sabiam que a informação poderia estar disponível noutro momento ou que poderiam voltar a procurá-la com a mesma facilidade, não recordavam tão bem a resposta como quando acreditavam que a informação não estaria disponível.
O estudo sugere que a população começou a utilizar como o seu “banco pessoal de dados”, conhecido como efeito Google e, os computadores e os motores de busca online converteram-se numa espécie de “memória externa” à qual se pode aceder consoante a vontade do utilizador e à qual a memória humana se está a adaptar.
Segundo Sparrow, não a surpreendeu constatar que cada vez mais pessoas não memorizam dados porque confiam em que os podem conseguir, basta possuir habilidade para os encontrar.
26JUL2011
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