.
Há sempre algo mais para além do horizonte.
É essa fina linha que assoma pelos bastidores do teu decote (talvez sem querer, tu sem o saber, prefiro assim).
O suave tule do sutiã vermelho procurando ar, alargando o peito, que ameaça o pudor da tua blusa (talvez sem querer, tu sem o saber, prefiro assim).
Apenas dois milímetros de sutiã são suficientes para manter-me em suspenso durante o trajecto.
Perplexo e vulnerável.
Malicioso em segredo.
Olho-te de soslaio, tu a meu lado.
Nessa postura a tua blusa descreve uma curva entre dois botões que me permite afundar ainda mais na metafísica do sutiã que intuem os teus peitos.
Não quero acreditar que o sutiã sujeite nada.
Prefiro acreditar que protege delicadezas perfeitas.
Protege do vento duas frágeis dunas.
Entramos na A28.
Ajustas o cinto de segurança, que agarravas sem prender, entre ambos os peitos e agora o teu corpo parece um sinal de proibição (cor de luto).
Morreu asfixiada a fresta com vistas entre esses dois botões.
Amaldiçoo as normas do código de estrada.
Não sei porque imagino os teus peitos sem mamilos.
Uma vez li, (não me recordo onde nem o seu autor), o relato de uma criança que acreditava que as mulheres não tinham mamilos.
Os mamilos são formados quando o bebé lactante, por sucção, sorve pela primeira vez o peito virgem da sua mãe.
A criança tinha inveja do seu irmão mais velho porque pensava que este tinha tido o privilégio de “criar” os mamilos da sua mãe.
Não sei porque relacionei esta história com os peitos da minha passageira.
O inconsciente é raro.
Procurar as conexões é tornar-me louco.
12JUL2011
.



Sem comentários:
Enviar um comentário