O VIDEIRINHO

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

REQUESTAR

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Sonhei que um carro da polícia arrasou as azáleas do meu jardim. 

Despertei repentinamente (eu não tenho azáleas) e aí estavas tu, aos pés da cama, observando-me enquanto abotoavas as calças. 

Vem, disse-te. 

Não posso, senão chego tarde ao trabalho. 

Que se lixe o trabalho, necessito-a. 

Os cabrões da polícia acabam de me destroçar o jardim. 

Que jardim? 

O interior, suponho. 

Tenho medo.

 Vem. 

Abri a cama e fiz-te um gesto. 

Aproximaste-te para dar-me um beijo e então agarrei-te pela cintura e puxei-te. 

Não posso Zé Torres, já vou chegar tarde. 

Será só um minuto. 

Necessito de ti. 

Está bem: um minuto e vou, sim? 

Deitaste-te a meu lado. 

 

Aproveitei a tua blusa aberta para apertar a minha cabeça contra o teu decote, sentir o calor, ou o eco do mar nas tuas pulsações. 

Enquanto me acariciavas o cabelo. 

Tiveste um mau sonho? 

Horrível. 

A polícia destroçou o meu jardim. 

Não vás, por favor. 

Tenho medo. 

E de que tens medo? 

Que te vás. 

Mas tenho que ir. 

E entretanto meti a mão por debaixo da copa do teu sutiã e comecei a acariciar-te os peitos. 

Zé Torres, não continues... 

Os teus mamilos começaram a entumescer-se. 

Lançaste um par de gemidos abafados mas no mesmo instante conseguiste safar-te. 

Está bem, Zé Torres. 

Outro dia. 

 

Tenho que ir. 

Já em pé abotoaste a blusa e pegaste no casaco que estava na cadeira. 

Era azul. 

O mesmo azul das calças. 

Parecia um uniforme. 

Ao retirares o casaco das costas da cadeira eu pude ver um cinto com balas, um bastão de borracha(?) e uma arma. 

E no casaco, a tua placa da Polícia. 

Agachaste-te para apanhar o bastão do chão e deste-me um último beijo. 

Antes de partires apontaste para uma nota sobre a mesinha de cabeceira: não te esqueças disso, disseste-me. 

Soou uma batida violenta da porta e acerquei-me da nota. 

Era uma multa de trânsito preenchida à mão com os meus dados e a matrícula do meu táxi. 

120€ por não parar num STOP.
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