O VIDEIRINHO

domingo, fevereiro 05, 2012

WISLAWA SZYMBORSKA

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Wisława Szymborska ( (* 2 de Julho de 1923  — † 1 de fevereiro de 2012 ) poeta polaca,  prémio Nobel da Literatura de 1996, faleceu aos 88 anos, em Cracóvia vítima de cancro do pulmão.
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Faleceu em casa, tranquilamente enquanto dormia”, explicou à imprensa o seu secretário pessoal, que recordou, ter sido ela uma fumadora incorrigível, apesar das constantes advertências dos médicos. É a poetisa mais conhecida da Polónia, mas teve que esperar pela concessão do Prémio Nobel para que a sua obra fosse conhecida no mundo. Destacou-se pela poesia cheia de humor e pelo seu hábil jogo de palavras, presente sempre desde o seu primeiro poema, “Procurando uma palavra”, publicado num diário de Kornik em 1945.


“Opinião sobre a pornografia”
Não há maior devassidão que o pensar.
Este devaneio propaga-se como a erva daninha
nos canteiros reservados para as margaridas.
Para aqueles que pensam, nada é sagrado.
Insolentemente chamam as coisas pelo seu nome,
elaboram viciosas análises e sínteses concupiscentes,
entregam-se à selvagem e libertina persecução da verdade desnuda,
o manuseio obsceno de temas delicados,
o acariciar de opiniões;  é disso que eles gostam.
A plena luz do dia ou na escuridão da noite,
unem-se em pares, triângulos e círculos.
Não importa o sexo, nem a idade dos integrantes..
Brilham-lhes os olhos, ardem-lhes as bochechas.
Um amigo corrompe outro amigo.
Filhas degeneradas pervertem o seu pai.
Um irmão alcovita com a sua irmã menor.
Apetecem-lhes outros frutos
os da árvore proibida da ciência,
e não as rosadas nalgas das revistas coloridas,
nem a pornografia habitual, no fundo tão simplória.
Divertem-nos livros sem ilustrações,
com um único interesse: certas frases
marcadas com a unha ou com um lápis vermelho.
Que espanto! Que posturas
e com que escabrosa simplicidade
se deixa uma mente fecundar por outra!
Nem no Kamasutra são conhecidas estas posições.
E nestes encontros só o chá está quente.
A gente senta-se, move os lábios.
Cada qual coloca a sua própria perna, uma sobre a outra.
Assim, um pé descansa no solo,
e o outro, balança-se livremente no ar.
Só de vez em quando alguém se levanta,
Aproxima-se da janela
e por uma fresta da persiana
espia a rua.
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