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A princípio todas as mulheres me compreendem e assumem-me.
Sabem que sou um individualista, um solitário, que vivo e quero continuar a viver só, que frequento e continuarei a frequentar bares de duvidosa reputação, que não madrugo e que o meu táxi (e também o meu blog) estará sempre acima delas (ao ponto de cancelar qualquer plano se a musa investir).
Sabem-no porque, depois do segundo ou terceiro encontro, acabo sempre por colocar as cartas na mesa: sou feliz assim, não quero mudanças.
Todas elas, supostamente, escolhem livremente aceitar as condições ou marcharem-se.
No entanto, a que decide ficar, sempre tende a considerar-me um repto ou desafio.
Aceita as minhas condições porque sabe que, no fundo, só ela será capaz de modificar os meus hábitos sem que eu dê conta (de uma maneira quase invisível, subliminal).
E então aplicará as suas armas de mulher: primeiramente dar-me-à a liberdade que requeiro.
Se passado um tempo prudente não cedo aos seus encantos, passará (digamos) ao plano B: tratará de me fazer ciumes com outros homens para que valore o seu potencial.
Se tão-pouco isto não funciona, tornar-se-à submissa, delicada ou talvez rude comigo.
Explorará, em qualquer caso, todo o meu espectro com a intenção de procurar os meus pontos débeis (todos os temos).
Se por exemplo gosto de carinho, será mais carinhosa.
Se me agrada uma boa conversação, atacará por aí.
Ainda que pareça o contrário, este modo de actuar não determina uma falta de personalidade da sua parte.
Tão só cede temporariamente até que abrande e caia na sua rede.
É um desafio, repito.
Não tanto por amor mas para impor a sua vontade.
De facto, só aguentam as mais teimosas.
Aguentam pelo menos até que, num último intento desesperado, plantam a sua escova de dentes no meu quarto de banho, ou abrem um buraco na minha cómoda e então sou eu que tenho de cortar o mal pela raiz.
É assim com uma, com outra.
Tem sido assim nos últimos sete anos.
Nota:
Gosto de viver sozinho e de mulheres.
Por esta ordem.
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