O VIDEIRINHO

sexta-feira, setembro 25, 2009

ESQUELETOS SEM SEXO...

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Suponhemos que encontremos”, por casualidade, os ósseos restos humanos, bastante conservados, não estão partidos e a maioria do esqueleto está presente.

Calma, não tens que estar frente à cena de um crime, pode ser um museu, uma faculdade de medicina, frente à televisão a veres os novos achados em Atapuerca

Como podemos saber com segurança se se tratava de um homem ou de uma mulher?

Escusado será dizer que não temos o dinheiro, nem os meios de qualquer CSI e tão-pouco alguém à mão de semear que nos faça uma análise de DNA à velocidade da luz, para conhecer o sexo segundo os cromossomas que possui.

Somente nos podemos agarrar aos nossos conhecimentos básicos da anatomia e é com isso que nos temos de contentar.

Primeiro temos que recordar que a pélvis é a chave para distinguir os sexos.

Este osso é muito diferente entre ambos e deve-se exclusivamente a uma razão, a pélvis feminina tem uma série de características especiais que permitem a realização do parto.

Ainda que haja outros ossos que nos mostram indícios do sexo – mandíbula, caixa ou abóbada craniana, etc. – o que mais informações nos vai aportar é a pélvis.

Outro facto que ajudaria seria conhecer a densidade dos ossos.

Normalmente os ossos dos homens possuem uma maior densidade que os das mulheres, com a mesma idade.

Mas como não se conhece a idade do esqueleto e esta é difícil de descobrir se não for através de outras tarefas mais complexas, só nos servirá para avaliar todo o conjunto.

Aqui vamos ver como seria a pélvis de cada sexo desde a parte de cima.

As zonas e contornos que vão ser mais importantes para diferenciar o sexo, estão assinaladas por cores.

- vermelho: diâmetro transversal da cavidade pélvica da mulher é muito maior do que o do homem.

Facto totalmente necessário para que a cabeça e os ombros do feto possam passar, quando se desencadeia o parto.


- verde: as “espinhas ciáticas” (protuberâncias ósseas) que estão assinaladas a verde, são muito maiores no homem e encontram-se mais próximas do osso rodeado a azul, que é o cóccix.

- amarelo: o arco por detrás da zona central da púbis - sínfise pubiana – é muito mais amplo na mulher do que no homem.

- azul: nas mulheres, o sacro, junto da púbis, encontra-se deslocado para trás.

No homem vê-se claramente como sobressai.



Como resultado destes quatro factores, a cavidade da pélvis feminina é muito mais ampla que a masculina.



Um truque que pode ajudar para determinar o sexo de uma forma muito fácil – e infantil, diga-se de passagem – é construirmos uma imagem mental da cabeça do Mickey Mouse.

Se o contorno da cavidade da pélvis é como a cabeça de um Mickey Mouse obeso, é provável que seja de mulher.

Se pelo contrário, o contorne se assemelha mais a um Mickey Mouse normal, ou magrito, o mais natural é que se trate de um homem.

Vejamos então a pélvis como se a tivéssemos à frente:



Vemos como o arco púbico (a vermelho) da mulher tem a forma de U invertido, enquanto que o do homem tem a forma de Y invertido.

O arco púbico de maior amplitude da mulher, deve-se ao que foi descrito anteriormente, facilitar a expulsão do feto.



E com todas estas peculiaridades podemos saber, com bastantes probabilidades o sexo.

É claro que há excepções, se se trata duma criança de pouca idade, as diferenças anatómicas da pélvis serão muito mais difíceis de ver.

E também pode suceder, ainda que seja pouco frequente, que uma mulher tenha a pélvis mais parecida com a do homem.

Quando chegasse a hora do parto teria muitas dificuldades ou até ser-lhe-ia impossível levá-lo a cabo (parto natural).

É que as adequações da pélvis feminina são imprescindíveis.

A passagem através de escassos 13 centímetros do canal do parto é uma das viagens mais perigosas que o ser humano realiza.

De facto, o risco de mortalidade durante o parto, é similar ao risco acumulado da pessoa durante 30 anos de vida.

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