O VIDEIRINHO

quinta-feira, setembro 24, 2009

TELETRABALHO

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A maior aspiração dos trabalhadores portugueses, além de manter os seus postos de trabalho, é passar longe de seus superiores imediatos, que são sempre os piores.

Alguns poderão estar capacitados, por exemplo os capatazes, para simultaneamente ocuparem o posto de chefe do pessoal com o de chefe dum campo de concentração.

Já se sabe que existem duas formas de trabalhar; a primeira consiste em realizar um esforço regulamentado e geralmente mal pago e a segunda, em ordenar que o façam os outros.

Agora fala-se que os bancos vieram por "aí baixo", (mas os seus lucros não!) e as grande empresas convertidas em pequenas, estão a inovar os sistemas tradicionais.



Para diminuir os efeitos da anunciada pandemia, vai ser instituído o chamado “teletrabalho”.

"Do chefe e do mulo, quanto mais distante mais seguro”, diz o nosso refraneiro popular, ou inventei-o eu que também sou “pop lar”.

Fazer uma jornada laboral a uma distância segura dos seus companheiros pode ter as suas vantagens, mas impede o desenvolvimento da virtude do companheirismo, esse vínculo harmónico que se estabelece entre os que ganham a vida do mesmo modo.

O que se passará quando todo o mundo trabalhe em sua casa e se constitua em seu próprio chefe?



Dizem os experts que as novas tecnologias acabaram por diluir a histórica jornada de oito horas, que tantas vidas custou até lograr impor-se.

Também prevêem que os novos chaços confidenciais, móveis e portáteis, estabelecerão um controlo seguríssimo.

O vírus H1N1 pode lograr o que jamais conseguiram os sindicatos: que as greves sejam individuais e feitas a partir de casa.

Um filósofo ilustre, de quem não me recordo agora como se chamava, (terá sido Jean-Jacques Rousseau?), disse que “o homem é bom, mas os homens são maus”.

Claro que ele se equivocava.

Tão-pouco teria acertado dizendo o contrário.


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