O VIDEIRINHO

sábado, setembro 19, 2009

SONDAGENS

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A chave da felicidade não a possui ninguém e se se encontra por casualidade, mudaram-lhe a fechadura.

Não obstante, todavia, há pessoal que se empenha em pesá-la e medi-la: a revista “Forbes” libertou do seu particular zoológico a última serpente de verão, agora que todos os meios de comunicação se dispõem a abandonar a frivolidade obrigatória do estio.

Mais de dez mil pessoas, procedentes de vinte países diferentes, votaram numa sondagem para averiguar qual é “a cidade mais feliz do mundo”.

Há razões para duvidar de que, nem um só desses eleitores tenha alcançado a categoria de pessoa, mas não devemos duvidar do resultado eleitoral segundo o qual o Rio de Janeiro é a triunfadora.




Também Barcelona (a minha cidade preferida, depois do meu Porto) está muito bem classificada, mas abaixo de Sidney e de Amesterdão.

Nesta lista não saiu Xinjiang.

Onde se situará Xinjiang?

Desditosamente não pude confirmá-lo com quem padeça da mesma rotunda ignorância.

Cheira-me a chinesice.

Recordo-me de ter ouvido que ali, os uigures mantêm uma luta, mas como tão-pouco não sei quem são os uigures, continuo na mesma.

Como é que vão ser felizes ali se, os seus arqui-rivais étnicos, que provavelmente também serão tão-pouco felizes como eles, lhes estão a lançar seringas hipodérmicas infectadas de SIDA?



Mas não se vá tão longe.

As tropas portuguesas no Afeganistão tão-pouco devem desfrutar desse confortável estado de ânimo, apesar da satisfação que proporciona o dever cumprido.

O que o poeta espanhol, António Machado, dava como receita para conseguir a felicidade, “uma boa saúde e a cabeça vazia”, continua em vigor.

Podemos ampliá-la aos que fazem sondagens sobre as cidades onde se escondem e albergam, não se conformam a gozar a vacuidade mental, mas sim aspiram a propagá-la.

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