O VIDEIRINHO

sexta-feira, setembro 11, 2009

FIM DE TUDO

.


Hiroshima - Stéphane Chabrières


O Verão sempre acaba demasiado depressa, mas em especial para as pessoas que não voltam.

Este ano, só em Agosto foram cerca de 90 pessoas que adquiriram um descanso, bem ou mal ganho, descansam em paz.

Confirma-se o lutuoso dado, ainda que o pessoal da segurança rodoviária fale na descida da mortalidade, já que em anos anteriores se ultrapassou esta cifra.

Todavia restam muito automobilistas vivos até ao fim da chamada Operação Verão Seguro da GNR e já nos acostumámos a que haja algum amigo e muitos desconhecidos que não poderão retornar seguros.

Não sabemos grande coisa da morte, mas talvez seja como umas intermináveis férias.





Algo parecido com o "antes de nascermos", quando não havia calendários, nem obrigações, nem ninguém estava cansado.

Terão tido uma melhor sorte relativa os que morreram na viagem de volta do que os que se encontraram com a “inevitável senhora” na ida?

Em qualquer caso, tiveram um verão pela frente e os verões sempre tiveram boa imprensa, embora os jornais se vendam menos do que no inverno.

Maeterlinck chamou-lhes “a estação da felicidade” e há uma crença generalizada de que é uma estação em que não se passa nada.

É mentira.




Aproveita-se para começar guerras, para subir impostos, para os vereadores do Urbanismo cobrarem as promessas e para fechar negócios, mas o mais terrível é que não estejamos acostumados a que muitas pessoas apresentem a demissão involuntária e irrevogável desta vida.

Considera-se como um tributo que rendemos à estrada e estão previstas mantas para cobrir os que não terão que vacinar-se.

Logo se começam estudos sobre as causa da sinistralidade.

Sempre ficam a reluzir, o álcool e a pressa.

Não aprendemos a valorizar a lentidão, nem a beber num local mais perto de nossa casa.

A velocidade é o único novo pecado que foi inventado na nossa época.

Como os demais, só temos conseguido aperfeiçoá-lo.

.

Sem comentários: