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Só me fixei naquele detalhe já o trajecto ia bastante avançado.
Neste caso, aquela passageira do meu táxi, não sei se por descuido ou deliberadamente, levava espatada no pescoço, a escassos centímetros da sua orelha esquerda, uma agulha de acupunctura.
Pode muito bem acontecer que o seu médico acupunctor se tenha esquecido de a retirar ou, talvez a tenha deixado cravada na sua pele como parte do processo curativo.
Por prudência não disse nada, (também que dizer nestes casos?: “Você sabe que tem uma agulha espetada no seu pescoço?"), mas não pude evitar que aquela imagem me mantivesse por longo momento pendente do espelho.
Tenso e pensativo.
Num semáforo peguei no telemóvel para colocar no Twitter uma anedota que me ocorreu, mas nisto vejo no ecrã um aviso com a seguinte solicitação de contacto:
Neste caso, aquela passageira do meu táxi, não sei se por descuido ou deliberadamente, levava espatada no pescoço, a escassos centímetros da sua orelha esquerda, uma agulha de acupunctura.
Pode muito bem acontecer que o seu médico acupunctor se tenha esquecido de a retirar ou, talvez a tenha deixado cravada na sua pele como parte do processo curativo.
Por prudência não disse nada, (também que dizer nestes casos?: “Você sabe que tem uma agulha espetada no seu pescoço?"), mas não pude evitar que aquela imagem me mantivesse por longo momento pendente do espelho.
Tenso e pensativo.
Num semáforo peguei no telemóvel para colocar no Twitter uma anedota que me ocorreu, mas nisto vejo no ecrã um aviso com a seguinte solicitação de contacto:
“Verónica Lopes deseja contactar contigo via Bluetooth. ACEITAR/REJEITAR”.
Por curiosidade aceitei (e porque no fundo me sinto só e gosto de desafios).
Nesse instante apareceu-me uma mensagem da tal Verónica Lopes:
“Baixe um pouco a temperatura, por Deus! Estou a assar...”
Olhei a passageira.
Estava no seu mundo, observando alheada a rua.
Baixei um par de graus a temperatura e nisto a passageira sorriu, ainda que sem sequer olhar para mim, nem disse nada.
Depois chegou-me outra mensagem:
“Gosto muito dessa canção.
Pena é que o volume esteja tão baixo”.
No rádio soava “Love will tear us apart” de Joy Division.
Aumentei o volume e então ela olhou-me surpreendida, arqueou as sobrancelhas e voltou a sorrir-me
Por curiosidade aceitei (e porque no fundo me sinto só e gosto de desafios).
Nesse instante apareceu-me uma mensagem da tal Verónica Lopes:
“Baixe um pouco a temperatura, por Deus! Estou a assar...”
Olhei a passageira.
Estava no seu mundo, observando alheada a rua.
Baixei um par de graus a temperatura e nisto a passageira sorriu, ainda que sem sequer olhar para mim, nem disse nada.
Depois chegou-me outra mensagem:
“Gosto muito dessa canção.
Pena é que o volume esteja tão baixo”.
No rádio soava “Love will tear us apart” de Joy Division.
Aumentei o volume e então ela olhou-me surpreendida, arqueou as sobrancelhas e voltou a sorrir-me
Aí soube que através daquela antena, digo, agulha cravada no seu pescoço podia aceder com o meu telemóvel aos seus pensamentos sem que ela o soubesse.
Mas ainda desconhecia se aquele invento era reciproco.
Poderia meter-me na sua cabeça?
Para comprová-lo pensei em enviar uma mensagem a Verónica Lopes através do telefone.
Escrevi:
“Fecha os olhos”.
E ela fechou os olhos.
Uau!, pensei.
“Humedece os lábios, languidamente, com a língua”, voltei a escrever.
E ela assim o fez.
“Aproxima-te do taxista e beija-o na boca”.
Verónica colou-se entre os assentos dianteiros e com os olhos cerrados juntou os seus lábios com os meus.
Enquanto me beijava intentei teclar o meu próximo desejo, mas ao mover-me desprendeu-se a agulha do seu pescoço.
Mas ainda desconhecia se aquele invento era reciproco.
Poderia meter-me na sua cabeça?
Para comprová-lo pensei em enviar uma mensagem a Verónica Lopes através do telefone.
Escrevi:
“Fecha os olhos”.
E ela fechou os olhos.
Uau!, pensei.
“Humedece os lábios, languidamente, com a língua”, voltei a escrever.
E ela assim o fez.
“Aproxima-te do taxista e beija-o na boca”.
Verónica colou-se entre os assentos dianteiros e com os olhos cerrados juntou os seus lábios com os meus.
Enquanto me beijava intentei teclar o meu próximo desejo, mas ao mover-me desprendeu-se a agulha do seu pescoço.
Nisto abriu de súbito os olhos e, ao ver-se tão pertinho de mim, afastou-se como um raio e deu-me uma sonora bofetada.
Então saiu do táxi batendo a porta.
Pelo menos tenho a sua agulha em meu poder.
Cravei-a na mesma zona do pescoço que ela e tentei pôr-me em contacto comigo mesmo via Bluetooth para interagir comigo mesmo e obrigar-me a levar melhor vida através do telemóvel, mas não funciona.
Agora estou num bar.
Confuso e borracho como todas as noites.
Então saiu do táxi batendo a porta.
Pelo menos tenho a sua agulha em meu poder.
Cravei-a na mesma zona do pescoço que ela e tentei pôr-me em contacto comigo mesmo via Bluetooth para interagir comigo mesmo e obrigar-me a levar melhor vida através do telemóvel, mas não funciona.
Agora estou num bar.
Confuso e borracho como todas as noites.
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