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Foto da
"Metarmofose" de Franz Kafka
No fundo, no fundo, lá do outro da caixa da massa cinzenta e dos
pirolitos, o que queres é ser como eles.
Continuas a pensar que algum dia
sucederá alguma coisa, um golpe de sorte ou será coisa do karma ou seja lá do
que for.
Todos os dias, ou quase, aparecem na TV: “pessoal” brindando com
champanhe e o seu “vigésimo premiado”, gente com sorte.
Como aquele tipo, o
Zuckerberg, esse que se tornou milionário montando um site com quatro patacos
furados.
Ou o Américo Amorim: quase um analfabeto e forrado de massa, por
dentro e por fora.
E ainda que te fisgue mais o do futebol, olha para o Cristão
Ronaldo, como vive.
Isso significa que é possível.
Se eles podem, tu também.
E
quando chegar o teu momento, porque acreditas que chegará algum dia, já sabes,
terás tudo aquilo que sonhaste.
A tua piscina em forma de rim, o teu bilhar
americano, o teu Ferrari, ou não, melhor um Porche, mais maneirinho.
O teu
harém de boazonas (quem quer amor se tenho “massa?”), a tua praia privada (sem
gentalha), a tua enorme colecção de relógios que gabas de serem caros, um desses
personal shopper ou “gestor de carreira ou vida” e uma sala de cinema em casa,
para convidares os colegas (e que morram de inveja).
Sentas-te no meu táxi e
evitas olhar o taxímetro.
Estás cansado para apanhar um autocarro (que merda!
merece-lo: hoje deste o litro no emprego).
E quando eu te deixar à porta da tua
casa de merda (provisória), um quarto sem elevador de trinta metros quadrados,
dar-me-ás uma gorjeta:
- Fique com o troco, chefe.
Ainda que ganhes seiscentos
euros por mês e pagues duzentos e cinquenta de aluguer e outros cem para esse
crédito que pediste para a moto (que afinal não chegaste a comprar, mas ainda te
restam cem “brasas”; duzentas do mês passado).
Ainda que só compres lotaria no
Natal.
Ainda que não faças nada para além de trabucar.
Mentalidade de luxo sem ter um tusto nem fazer nada para além
de esperar que a sorte chegue ou que o rumo mude.
Ou que bata as botas aquele
tio com massa, irmão da tua mãe, e herdes.
Daí o drama.
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2 comentários:
Estou farto de prometer que vou a Fátima de Porsche se me sair o Euromilhões e nada, os santos já não querem saber de promessas.
Táxi Pluvioso
Agora com as modernices, vai-se de qualquer maneira.
Mas bom mesmo era como no tempo de Salazar.
Queijo de cabra, sardinhas de barrica (que saudades), pão e um garrafão de 5 litradas por dia.
Só com os vapores etílicos até o burro ia a trote!
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