O VIDEIRINHO

terça-feira, maio 08, 2012

UM FILHO…

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Entrou no meu táxi uma passageira com um miúdo de quatro ou cinco anos e de seguida, ela e eu começámos a falar, primeiro do tempo (chovia), depois da crise, e depois da crise passou-me a contar a sua própria, com todo um luxo de detalhes: já estava desempregada há três meses, que o subsídio que recebia mal dava para cobrir os gastos com a casa, que agora tinha que levar o miúdo ao terapeuta da fala. 

O miúdo, por sua parte, permanecia em silêncio atento a todos os saltos do taxímetro. 

A meio do trajecto a mãe indicou-me que era melhor ir pela VCI, porque apesar de ser mais longe, seria mais rápido. 
Assim fiz, entrei na VCI, coloquei-me na faixa da esquerda e nisto, sinto o miúdo tocar-me no ombro e diz-me: 

- Não vás tão depressa, papá. 

A mãe olhou-me surpreendida e ruborizada através do espelho e eu a ela, mas nenhum dos dois disse nada. 

E assim, em silêncio, chegámos ao seu destino. 

Procurei um local onde parar, e nisto o miúdo diz: 

- Não vens, papá? 

Saímos do táxi e entrámos os três juntos, de mão dada, para a consulta de terapia da fala. 

E aqui estamos. 

A mãe e eu, na sala de espera. 

Dissimulando. 

Felizes. 

(Já viram a responsabilidade que supõe ter um filho assim de repente?). 

... No outro dia de manhã quando saí de casa deles, a mãe e o "meu" filho ainda dormiam.
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