O VIDEIRINHO

segunda-feira, maio 21, 2012

LOUCURAS

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ROXY MUSIC - AVALON




A conversa já tinha chegado a níveis indescritíveis. 

Há poucos minutos que tínhamos chegado ao seu destino e há uns instantes que tinha desligado o taxímetro e ela pago a corrida; agora encontrávamo-nos recostados, cada qual no seu assento, virados um para o outro, com ela a meu lado, falando os dois pelos cotovelos, formulando e respondendo a perguntas, qual delas a mais íntima. 

Ela atingiu tal ponto de confiança que inclusivamente chegou a aumentar o volume do rádio sem me consultar. 

Foi num desses momentos, enquanto soava Avalon de Roxy Music, quando sem querer baixou o olhar e cravou os seus olhos na minha boca. 

Então soube que me queria beijar, ou pelo menos não se oporia se eu me acercasse para a beijar. 

E assim fiz.


Enquanto ela trauteava a canção quase sussurrando, comecei a aproximar-me até sentir a respiração das suas palavras, o calor da sua boca.


Então fez-se silêncio e ela entregou-me os seus lábios macios e suaves como almofadas de seda à minha inteira disposição. 

Mas sem os mover, só se deixando beijar, depois entreabriu a sua boca e então comecei a explorar os seus lábios com a ponta da língua e, por fim, quando a minha língua se encontrou com a sua língua senti uma torrente de energia, como se ambas as línguas fossem canais de informação.




Então, de súbito, comecei a ler a sua própria mente: 
"a sua barba pica, faz cosquinhas, mas minha mãe!!!, estou com o líbido no máximo, caso nos mantenhamos assim, não sei..., é melhor parar a tempo, que as coisas não avancem mais, que não me beije o pescoço, porque então, como me conheço bem, desamarrar-me-ei e perder-me-ei e não posso, claro, como louca, pedir-lhe que suba à minha casa... mas que faço?
Tão-pouco deveríamos estar aqui e se o Filipe nos apanha? Se saí para dar um passeio com o cão e vê-me neste descalabro dando roço a um taxista? Estás como uma puta, minha cabra, mas sê forte, que situação minha mãe, quando o contar a..., não, não posso contá-lo a ninguém, chiça! Se o Filipe se inteira da situação, fica vermelho de raiva e agora..., não... agora vai e está a meter-me a mão por debaixo da blusa, tenho que detê-lo, dizer que páre, que não siga por aí, é melhor eu afastar-me, mas pouco a pouco..."
... as nossas línguas separaram-se e então ela disse-me que tinha que ir e saiu do táxi a correr.

Aí terminou tudo.
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