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O meu nível de ensimesmamento mede-se pelo número
de multas de trânsito que me chegam a casa: quanto mais multas, mais vivo para
dentro.
Agora, por exemplo, encontro-me imerso em pleno processo de criação.
Tento dar forma a uma trama com pretensões de novela, obsessão que me ocupa
todas as horas do dia, o tempo de “prego a fundo” no táxi incluído.
Na foto (multa no para-brisas) circulava no túnel de Ceuta, suponho que levando um
passageiro e conversando com ele.
Não sei o que se passa contigo, mas comigo
torna-se impossível levar no meu táxi um desconhecido, imaginar a sua vida
através do seu aspecto físico ou simplesmente falando com ele e avaliar as hipóteses
de incluí-lo na minha tal novela (e se assim for, em que parte da trama ou, com
que escusa) e com tudo isto, respeitar os limites de velocidade.
Desde que
comecei a alinhavar esta novela, chegaram-me, um total de sete multas, um rol de infracções graves e uma pipa de massa para contribuir para o bem-estar de
alguns.
Em cada uma delas apresentei o mesmo paleio para o recurso, escrito
pelo meu próprio punho e letra, (gosto de tudo pessoalizado),
alegando o que já escrevi mais acima; que nesses instantes me encontrava em
pleno processo criativo e que para o meu bom futuro literário, com o fim de não
truncar o desfrute aos meus futuros leitores, procedessem em consonância, para
me retirar a multa.
Com um 'corpo' policial destes até dá gosto ser autuado
E de passagem, deitassem uma vista de olhos ao Google, digitando
“INSÉTE”.
Não ganhei nenhum dos recursos, o que demonstra a falta de
sensibilidade das autoridades (da ANST), assim como o seu nulo interesse em
fomentar a cultura.
Coisa a que já estou habituado neste reinado de R. Rio.
Em
qualquer caso, tenho pensado enviar todas estas multas ao meu editor como
gastos do processo de elaboração da futura novela.
Espero que pelo menos
ninguém se atreva a dizer, quando por fim termine, edite e saia para venda,
que o livro é caro.
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