O VIDEIRINHO

sexta-feira, maio 11, 2012

O FILHO da P*TA

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Insultas um condutor – filho da p*ta!!! – porque invadiu a tua faixa de rodagem sem prévio aviso e este gesto fez-te sentir revoltado. 

Sentes-te culpado, não pela má praxis do contrário, mas pela tua inapropriada reacção (não tinhas nada que lhe ter chamado filho da ‘dita’; ou até terias... não te reconheço). 

Nos instantes seguintes, desde que perdeste de vista o insultado até que te aconteça outra circunstância que desvia e ocupa de novo toda a tua atenção, sentes-te mal, (ou não). 

Esse intervalo ocupa um total de três minutos e dezassete segundos. 

Depois desse lapso de tempo, um motoqueiro detém-se ao lado do teu táxi, levanta a viseira e pergunta-te como chegar a Leça da Palmeira pela A41. 


Dizes-lhe que te siga, que precisamente também pensavas ir nessa direcção. 

Abre o semáforo, aceleras e a mota começa a seguir-te. 

Nesse momento esqueceste o incidente com o filho da p*ta; agora toda a tua atenção centra-se em não perder de vista o motoqueiro através do espelho retrovisor. 

Começas a sentir-me bem. 

Útil. 

O que fazes é importante para alguém. 

E quantas mais ruas percorres com ele a seguir-te, melhor te sentes. 

Associas o teu bem-estar com o motoqueiro. 

De certo modo, o teu estado de ânimo, depende dele. 

Por isso ao chegar à auto-estrada, em vez de saíres onde terias que sair, continuas à frente da moto. 


Ele já conhece o caminho, assim ultrapassa-te e levanta o braço em sinal de agradecimento. 

Para o motoqueiro, já cumpriste a tua missão. 

No entanto resistes a perder o teu estado de ânimo e aceleras, adiantas-te a ele e voltas a deixá-lo nas tuas costas. 

Fazes questão de prosseguir sendo o seu guia. 

O motoqueiro volta a ultrapassar-te e imediatamente tu a ele. 

Uma espécie de um ‘pique’ entre ambos, mas o teu caminho é outro. 

Mais à frente, o motoqueiro desvia-se para meter gasolina. 

Detém-se numa área de serviço e tu plantas-te adiante, com a intenção de o esperares. 


Nisto acerca-se de ti e diz-te: 

– Pretende que lhe pague por segui-lo, taxista? 

– Não. 
Só quero que me siga, dizes-lhe. 

– Aonde? 
Diz tirando o capacete. 

Não quero voltar à Maia sozinho. 
Os monstros mordem-me. 

– Os monstros? 
Vou dizer-te o seguinte: 
Caso continues a perseguir-me, chamo a polícia… filho da p*ta!

28JUN2011
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2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Polícia? chegou a altura da justiça por mãos próprias e bandos amaltados nas florestas.

xistosa, josé torres disse...

Táxi Pluvioso

Em bando é mais difícil passar despercebido.
Um bom "corrector" e aí está a justiça individual e popular.
Um bom fim de semana.